Reciclado, esse vilão.

“Off grade”, recuperado, canelinha etc. Com muitos nomes registrados em cartório, o reciclado é sempre um bastardo.

O reciclado só tem uma qualidade, é mais barato que a resina virgem. Entretanto, sua garantia de qualidade é nula. Qual fabricante de algum produto feito com resina reciclada garante sua qualidade?

Na maioria das vezes, o barato sai caro.

Se o “lote” comprado for aprovado, será por uma vez, porque “lote” igual jamais será conseguido.

O Índice de fluidez (resina mais dura ou mais mole) do plástico é obtido por injeção de oxigênio, O 2 , no processo de polimerização.

(Para mais detalhes sobre Índice de fluidez, veja Capitulo IV – Metodologia do controle de qualidade do livro, no site)

Quando se recicla um plástico está se incorporando O 2 da atmosfera na resina localizada na zona de alimentação da extrusora recuperadora sob o funil, causando “amolecimento” e queima do polímero, amarelando-o. Quanto mais um plástico se submeter à ação da rosca de uma extrusora, mais mole e amarelo ele fica, até tornar-se marrom, o canelinha. Isto sem se contar com a degradação das propriedades mecânicas da resina. Um filme fabricado com reciclado pode chegar a “esfarelar” na mão.

É simples de se entender. A fonte do material é quase sempre desconhecida. Pode se originar de um refilo de filme de primeira qualidade, de rebarbas de peças injetadas ou sopradas, ou na pior das hipóteses, de um lixão da cidade. Estamos exagerando, é óbvio.

O melhor seria se a própria indústria reutilizasse a apara gerada no seu processo. Neste caso, pelo menos a origem seria conhecida.

Quem gosta de reciclado é fabricante de saco de lixo, “lona plástica preta” e, injetor de peças de segunda ou terceira categoria.

Para encomendar, a um fabricante de reciclado, “material” igual ao da última entrega, o comprador precisa ser muito ingênuo; mesmo que o fornecedor seja extremamente honesto. A honestidade não é a questão. É a degradação mecânica do próprio processo de reciclagem que impõe ao produto inferiorização na sua qualidade.

Um bom exemplo é comprar saco de lixo preto do mesmo fabricante, duas vezes. As “mercadorias” nunca terão a mesma aparência e muito menos, certamente, a mesma qualidade.

Não foi descoberto ainda o clone do reciclado.

É comum o usuário utilizar dois sacos de lixo, um dentro de outro, para suportar o peso do conteúdo.

O comprador de produtos reciclados ou fabricados com adição de reciclado não pode, absolutamente, ser nem exigente nem criterioso. Ele deve ser cordato, econômico e “engolir o sapo ou o saco”.

 

Ademar Roman
Março de 2006.

 

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